Passou porta giratória. O hall era enorme, pintado de branco com uns salpicos de verde relva aqui e acolá. O chão reluzente ainda molhado com a senhora da limpeza a esfregar com nítida vontade. Nas paredes estavam paneis com alguns trabalhos da empresa, e ao fundo uma vitrine com troféus dourados e fitas de condecoração. Dirigiu-se ao balcão onde lhe esperava uma jovem de óculos e farda. "Bom dia", disse. "Bom dia, posso ajudá-la em alguma coisa?", respondeu-lhe a secretária. "O meu nome é Joana, e sou a nova gerente. Tenho uma reunião com um Sr. chamado...deixe-me só consultar a minha agenda...", "Sérgio Bettencourt?" sugeriu a jovem. "Sim, sim. É mesmo esse senhor. Sabe se ele está disponível?". A jovem da recepção pegou então no telefone e carregou o acesso directo ao gabinete do senhor Sérgio. Enquanto aguardava pelo final da chamada, aproveitou para ver os trabalhos expostos. Ficou estupefacta com a qualidade dos mesmos. Tão estupefacta que nem ouviu a jovem chamar. Sentiu um pequeno toque no ombro e assustou-se. "Peço desculpa. O senhor Sérgio pede para subir. Décimo andar, última porta ao fundo do corredor. Não dá para falhar!" e despediu-se com um sorriso. Ainda a recompor-se do susto, agradeceu e dirigiu-se ao elevador. Estavam todos a subir. Ainda esperou mas estavam demorados. Dirigiu-se para as escadas em caracol. As escadas pareciam não ter fim, uma subida em direcção ao céu infindável.
Second Life (cont.) ;)
segunda-feira, 16 de Março de 2009 | Pensado por Décio Fernandes em 3/16/2009 08:48:00 PM 1 comentários
Ai, ai...que já so faltam duas semanas
Pois é caros leitores, já faltam duas semanas para acabar este pequenos estágio de seis meses. Como balanço só tenho a dizer que foi bastante positivo, só que estas últimas semanas, não têm corrido nada bem.
Pensado por Décio Fernandes em 3/16/2009 08:29:00 PM 7 comentários
Monotonia
É verdade. Cá estou eu de novo. Assim que vi que a última coisa que escrevi aqui data de Outubro decidi escrever mais qualquer coisa.
Desta não vou continuar a história que deixei a meio porque nem eu ainda pensei o que vai suceder.
Vou escrever sobre mim. Vá fechem lá o browser ou vão para o youtube ver algo que vos faça rir, porque sim, vai ser mais uma seca enorme de lamurias e lamentações e de frases sem sentido para vós. Mas sinto que tenho de colocar isto cá para fora.
Já à algum tempo que sinto que não tenho objectivos, ambições ou algo que me faça esperar que o dia chegue. A minha vida baseia-se em sair de casa, a cair de sono, para estar das 9 horas até às 5 a fazer a internet um pouco mais saturada. Entrar em casa fazer o essencial e sentar-me ao computador, outra vez.
Isso cinco dias por semana, porque os outros dois nem vale a pena falar.
E os dias vão passando, uma atrás do outro. Falta algo para dar cor à minha vida. Este cinza monótono e desgastante já não dá.
terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009 | Pensado por Décio Fernandes em 2/17/2009 08:57:00 PM 2 comentários
Second life
Os olhos entreabriam-se e uns rasgos de luz que conseguiam passar por entre as portadas iluminavam a cama desarrumada e com um dos lados vazio. Ao seu lado só se encontrava uma carta na cabeceira onde, ainda à poucas horas estava a cabeça de um homem. "Querido! Estás na casa de banho?". Levantou-se e vestiu o robe branco de seda que se encontrava na cadeira onde estavam, também, algumas peças de roupa intima que usara no dia anterior e que foram ali parar antes de uma noite de amor. Foi a janela e o carro negro que a havera trazido na noite anterior já lá não estava.
Sentou-se na cama e decidiu abrir a carta. Retirou o papel escrito à mão com tinta preta.
"Não sei o que esta noite significou para ti mas para mim foste apenas mais uma. Peço desculpa mas não me posso agarrar ao amor e obrigado pela noite.
P.S.: O meu nome não é João e não sou bancário, por isso não vale a pena me procurares."
A água escorreu pelos seus olhos, como se lhe tivessem tirado tudo. Correu para o duche. Após um duche calmante, vestiu-se e preparou-se para o trabalho. Não lhe apetecia, mas era o seu primeiro dia e não ia decerto faltar.
Era do tipo ecológica. Fazia da separação um dever diário, não tinha carro e fazia todo o possível para poupar os recursos do planeta. Por isso ia para o trabalho de autocarro, e tentava sempre convencer os amigos a fazê-lo.
Quando acabou de colocar o batom de morango nos lábios, olhou para o espelho e viu o relógio de parede com o pêndulo a balouçar. Voltou-se e olhou para os ponteiros. Ainda ia a tempo de apanhar o autocarro se saísse naquele momento. E foi isso que fez.
O dia estava cinzento e o vento fazia as folhas avermelhadas voar pela estrada e até aos passeios, onde se amontoavam à espera que o varredor de rua as apanhasse. Andou até à paragem de autocarros mais próxima e ajeitou o cachecol castanho de lã, oferta da sua mãe. Pelo caminho via as pessoas a correr para não chegarem atrasadas e automobilistas a buzinar para um sinal vermelho. Gases saiam dos escapes da enorme fila de carros à espera de um desembaraçamento. Continuou a sua caminhada para ver um sem-abrigo a esconder-se no vento, usando paragem para o efeito. Deu-lhe algum dinheiro, que o mendigo simpaticamente agradeceu. No entretanto chegou o autocarro. Entrou, pagou a tarifa e ficou de pé, já que não haviam lugares sentados. A viagem durou cerca de quinze minutos. Assim que saiu começou uma nova caminhada em direcção à empresa onde seria a nova gerente. A sensação de que estava a ser seguida não lhe saía da cabeça...
segunda-feira, 20 de Outubro de 2008 | Pensado por Décio Fernandes em 10/20/2008 02:29:00 PM 6 comentários
Como sobreviver sem telemovel...
Não, não quero imitar o Alvim naquela campanha publicitária. O caso é o seguinte.
Compro um telemóvel todo "hi-tech" com mp3, camera, etc... Pago um dinheirão por ele, mas fico contente por em vez de andar com dez aparelho atrás de mim, só levo o telemóvel. Passados alguns dias descubro que o telemóvel tem um problema que até um daqueles de meia dúzia de euros não tem. Vou à operadora e reclamo, como bom português achei por bem proferir a seguinte frase "Atão cma é isto?". Além de ficar sem telemóvel dutante a pequena duração de 1 mês, ainda tenho de pagar uma módica quantia para receber um de empréstimo!
Mas pronto, não é cá das operadoras portuguesas que quero falar.
Quero aqui partilhar a experiÊncia de uns dias sem o mágico utensilio:
Dia 1:
"Não notei diferença, excepto que queria ouvir música e já não posso."
Dia 2:
"Já sinto a falta da minha música. Sempre tenho o rádio do carro (iak!)."
Dia 3:
"Começo a pensar na solução de comprar um mp3, mas..."
Pois é caros leitores. Para mim nem é o telemovel que me faz falta mas sim o leitor de mp3 do mesmo ;D.
nota: Este post é um autêntica porcaria que me veio à cabeça.
sexta-feira, 3 de Outubro de 2008 | Pensado por Décio Fernandes em 10/03/2008 07:43:00 PM
Mudança...(Continuação)
Jorge era o seu melhor amigo, com o qual saía de vez em quando para tomar um copo e apreciar umas mulheres. "Sabes hoje foi um daqueles dias em tudo corre mal pá. Só para veres até tive de vir de autocarro para o trabalho. Mas olha acho que descobri a mulher da minha vida!", e contou a Jorge o que se tinha passado. "Ahahah. Queres mesmo que acredite nisso? Vê-se mesmo que nunca foste um grande mentiroso. A mulher da tua vida é a nova gerente? Pois, pois e o pai natal é filho do coelhinho da Páscoa.". "A sério! também não imaginava que fosse mas depois de a ver entrar aqui percebi logo quem ela era.". "É verdade que ela até é jeitosa mas nunca vais conseguir nada dela. E agora que estás desempregado é que não consegues mesmo nada.".
terça-feira, 30 de Setembro de 2008 | Pensado por Décio Fernandes em 9/30/2008 07:57:00 PM 3 comentários
Geração 1337
Não consigo com isto. O que é que este pessoal faz? Será que agora é só namoros de "hi5"? Para além da escrita horrorosa que em vez de poupar caracteres, aumenta ainda mais, ou as palavras de todos os dias que alteradas ficam a parecer outras, agora também andam preocupados com a posição no "top" do "hi5".
Esta geração (é verdade, também me incluo em certa parte) vive para o hi5. Qual é o prémio em ser amigo de 315203 "amigos", se nem conhecemos a grande maioria deles? Como me disse o Júlio, esta geração está intoxicada pela "morangada" e isso além de fazer que grande parte destes rapazes e raparigas tenham uma autêntica falta de gosto e pareçam ter saído todos da mesma fábrica de roupa, faz com que sejam por vezes completamente estúpidos. E então o principal factor que faz com os namoros virtuais sejam o pão nosso de cada dia, é a autêntica proliferação da internet. Chegam ao ponto de 5 em 5 minutos estarem a alterar algo no seu hi5, ou a mandarem comentários repetidos á mesma pessoa. Depois para falarem entre si usam comentários, o que é completamente estúpido se aquela pessoa está online na nossa lista de contactos do chamado messenger ou mesmo se convivemos com ela todos os dias. Outra coisa ridicula é que quando tem o perfil com amigos a mais ou amigos indesejados, ao invés de os apagarem, não. Preferem criar outro e "mascarar" aquele com outro nome e foto. Mas pronto. Não é nada que se possa alterar. E agora de volta à novela :).
Pensado por Décio Fernandes em 9/30/2008 07:39:00 PM 1 comentários