Second Life (cont.) ;)

Passou porta giratória. O hall era enorme, pintado de branco com uns salpicos de verde relva aqui e acolá. O chão reluzente ainda molhado com a senhora da limpeza a esfregar com nítida vontade. Nas paredes estavam paneis com alguns trabalhos da empresa, e ao fundo uma vitrine com troféus dourados e fitas de condecoração. Dirigiu-se ao balcão onde lhe esperava uma jovem de óculos e farda. "Bom dia", disse. "Bom dia, posso ajudá-la em alguma coisa?", respondeu-lhe a secretária. "O meu nome é Joana, e sou a nova gerente. Tenho uma reunião com um Sr. chamado...deixe-me só consultar a minha agenda...", "Sérgio Bettencourt?" sugeriu a jovem. "Sim, sim. É mesmo esse senhor. Sabe se ele está disponível?". A jovem da recepção pegou então no telefone e carregou o acesso directo ao gabinete do senhor Sérgio. Enquanto aguardava pelo final da chamada, aproveitou para ver os trabalhos expostos. Ficou estupefacta com a qualidade dos mesmos. Tão estupefacta que nem ouviu a jovem chamar. Sentiu um pequeno toque no ombro e assustou-se. "Peço desculpa. O senhor Sérgio pede para subir. Décimo andar, última porta ao fundo do corredor. Não dá para falhar!" e despediu-se com um sorriso. Ainda a recompor-se do susto, agradeceu e dirigiu-se ao elevador. Estavam todos a subir. Ainda esperou mas estavam demorados. Dirigiu-se para as escadas em caracol. As escadas pareciam não ter fim, uma subida em direcção ao céu infindável.

Ai, ai...que já so faltam duas semanas

Pois é caros leitores, já faltam duas semanas para acabar este pequenos estágio de seis meses. Como balanço só tenho a dizer que foi bastante positivo, só que estas últimas semanas, não têm corrido nada bem.

Para mim não conta só o ordenado no fim do mês, embora ajude sempre. As relações dentro da empresa têm de ser boas, ou então não existe produção. Sim, estou a falar da minha experiência de trabalho que embora seja pouca, já me demonstrou o que vem por aí abaixo. Como é que durante cerca de 6 meses possamos estar completamente felizes, motivados e com perspectivas, e em apenas alguns dias isso mudar totalmente? É a questão com a qual me tenho deitado todos os dias. E depois la vem o entendido na matéria dizer que embora isso tenha acontecido o que importa é a nossa atitude frente aos problemas, que não devemos voltar as costas aquilo de que gostamos porque existe alguém que nos lixa.
Em certo ponto ele tem razão, mas eu sou assim e não consigo continuar a trabalhar num sítio onde não me sinta à vontade.

Monotonia

É verdade. Cá estou eu de novo. Assim que vi que a última coisa que escrevi aqui data de Outubro decidi escrever mais qualquer coisa.
Desta não vou continuar a história que deixei a meio porque nem eu ainda pensei o que vai suceder.
Vou escrever sobre mim. Vá fechem lá o browser ou vão para o youtube ver algo que vos faça rir, porque sim, vai ser mais uma seca enorme de lamurias e lamentações e de frases sem sentido para vós. Mas sinto que tenho de colocar isto cá para fora.

Já à algum tempo que sinto que não tenho objectivos, ambições ou algo que me faça esperar que o dia chegue. A minha vida baseia-se em sair de casa, a cair de sono, para estar das 9 horas até às 5 a fazer a internet um pouco mais saturada. Entrar em casa fazer o essencial e sentar-me ao computador, outra vez.
Isso cinco dias por semana, porque os outros dois nem vale a pena falar.
E os dias vão passando, uma atrás do outro. Falta algo para dar cor à minha vida. Este cinza monótono e desgastante já não dá.

Second life

Os olhos entreabriam-se e uns rasgos de luz que conseguiam passar por entre as portadas iluminavam a cama desarrumada e com um dos lados vazio. Ao seu lado só se encontrava uma carta na cabeceira onde, ainda à poucas horas estava a cabeça de um homem. "Querido! Estás na casa de banho?". Levantou-se e vestiu o robe branco de seda que se encontrava na cadeira onde estavam, também, algumas peças de roupa intima que usara no dia anterior e que foram ali parar antes de uma noite de amor. Foi a janela e o carro negro que a havera trazido na noite anterior já lá não estava.
Sentou-se na cama e decidiu abrir a carta. Retirou o papel escrito à mão com tinta preta.
"Não sei o que esta noite significou para ti mas para mim foste apenas mais uma. Peço desculpa mas não me posso agarrar ao amor e obrigado pela noite.
P.S.: O meu nome não é João e não sou bancário, por isso não vale a pena me procurares."
A água escorreu pelos seus olhos, como se lhe tivessem tirado tudo. Correu para o duche. Após um duche calmante, vestiu-se e preparou-se para o trabalho. Não lhe apetecia, mas era o seu primeiro dia e não ia decerto faltar.
Era do tipo ecológica. Fazia da separação um dever diário, não tinha carro e fazia todo o possível para poupar os recursos do planeta. Por isso ia para o trabalho de autocarro, e tentava sempre convencer os amigos a fazê-lo.
Quando acabou de colocar o batom de morango nos lábios, olhou para o espelho e viu o relógio de parede com o pêndulo a balouçar. Voltou-se e olhou para os ponteiros. Ainda ia a tempo de apanhar o autocarro se saísse naquele momento. E foi isso que fez.
O dia estava cinzento e o vento fazia as folhas avermelhadas voar pela estrada e até aos passeios, onde se amontoavam à espera que o varredor de rua as apanhasse. Andou até à paragem de autocarros mais próxima e ajeitou o cachecol castanho de lã, oferta da sua mãe. Pelo caminho via as pessoas a correr para não chegarem atrasadas e automobilistas a buzinar para um sinal vermelho. Gases saiam dos escapes da enorme fila de carros à espera de um desembaraçamento. Continuou a sua caminhada para ver um sem-abrigo a esconder-se no vento, usando paragem para o efeito. Deu-lhe algum dinheiro, que o mendigo simpaticamente agradeceu. No entretanto chegou o autocarro. Entrou, pagou a tarifa e ficou de pé, já que não haviam lugares sentados. A viagem durou cerca de quinze minutos. Assim que saiu começou uma nova caminhada em direcção à empresa onde seria a nova gerente. A sensação de que estava a ser seguida não lhe saía da cabeça...

Como sobreviver sem telemovel...

Não, não quero imitar o Alvim naquela campanha publicitária. O caso é o seguinte.
Compro um telemóvel todo "hi-tech" com mp3, camera, etc... Pago um dinheirão por ele, mas fico contente por em vez de andar com dez aparelho atrás de mim, só levo o telemóvel. Passados alguns dias descubro que o telemóvel tem um problema que até um daqueles de meia dúzia de euros não tem. Vou à operadora e reclamo, como bom português achei por bem proferir a seguinte frase "Atão cma é isto?". Além de ficar sem telemóvel dutante a pequena duração de 1 mês, ainda tenho de pagar uma módica quantia para receber um de empréstimo!
Mas pronto, não é cá das operadoras portuguesas que quero falar.
Quero aqui partilhar a experiÊncia de uns dias sem o mágico utensilio:
Dia 1:
"Não notei diferença, excepto que queria ouvir música e já não posso."

Dia 2:
"Já sinto a falta da minha música. Sempre tenho o rádio do carro (iak!)."

Dia 3:
"Começo a pensar na solução de comprar um mp3, mas..."

Pois é caros leitores. Para mim nem é o telemovel que me faz falta mas sim o leitor de mp3 do mesmo ;D.





nota: Este post é um autêntica porcaria que me veio à cabeça.

Mudança...(Continuação)

O seu coração palpitou de emoção. Não sabia o que fazer. Ocorreu-lhe ir para o trabalho e esquecer o que havia passado, mas logo descartou essa opção. Os segundos iam passando e ela ia-se afastando cada vez mais, enquanto que ele estava ali especado sem saber para onde ir. Decidiu segui-la, de longe claro para não dar nas vistas. Quase embateu num poste devido a estar vidrado nela. Reconhecia o caminho que ela seguia. Estranhamente era o mesmo que que percorria de carro todos os dias de manhã. "Para onde é que esta vai?", perguntou-se. Continuando o percurso olhou o relógio. Estava bastante atrasado, mas não importava. "Justifico que estava doente e peço a minha prima que me passe um atestado.". Foi então que ela entrou no único edifício que ele não estava a espera e percebeu logo o que ela faria ali. Um memorando tinha passado a todos os gestores anunciando a vinda de uma nova gerente para a empresa. Apressadamente correu para a entrada e apanhou o elevador que estava de partida para o 5º andar. Sentou-se na secretária á espera que ninguém desse pelo seu atraso mas já havia um post-it colado no ecrã."Arrume as suas coisas e apresente-se no meu gabinete.". Telefonou à prima para que rapidamente esta conseguisse o seu atestado. "Serviço de Voice Mail. Deixe a sua...". Não era definitivamente o seu dia de sorte. "Olha ja conheceste a nova chefe? Ouvi dizer que ela é muito exigente! Chegou à pouco e já está a por o pessoal todo na linha!" disse-lhe um voz ao lado. Era o jorge, seu colega de trabalho que trabalhava no cubiculo ao lado. Jorge era um pouco gordo e tinha a barba sempre por fazer. Adorava parar de trabalhar para ver videos na Internet e comer alguns doces. No entanto era muito competente e trabalhava rápido, razão pela qual nunca fora despedido. O seu cubiculo parecia um arco-iris, cheio de post-it's de todas as cores colados na divisória.

Jorge era o seu melhor amigo, com o qual saía de vez em quando para tomar um copo e apreciar umas mulheres. "Sabes hoje foi um daqueles dias em tudo corre mal pá. Só para veres até tive de vir de autocarro para o trabalho. Mas olha acho que descobri a mulher da minha vida!", e contou a Jorge o que se tinha passado. "Ahahah. Queres mesmo que acredite nisso? Vê-se mesmo que nunca foste um grande mentiroso. A mulher da tua vida é a nova gerente? Pois, pois e o pai natal é filho do coelhinho da Páscoa.". "A sério! também não imaginava que fosse mas depois de a ver entrar aqui percebi logo quem ela era.". "É verdade que ela até é jeitosa mas nunca vais conseguir nada dela. E agora que estás desempregado é que não consegues mesmo nada.".

Geração 1337

Não consigo com isto. O que é que este pessoal faz? Será que agora é só namoros de "hi5"? Para além da escrita horrorosa que em vez de poupar caracteres, aumenta ainda mais, ou as palavras de todos os dias que alteradas ficam a parecer outras, agora também andam preocupados com a posição no "top" do "hi5".
Esta geração (é verdade, também me incluo em certa parte) vive para o hi5. Qual é o prémio em ser amigo de 315203 "amigos", se nem conhecemos a grande maioria deles? Como me disse o Júlio, esta geração está intoxicada pela "morangada" e isso além de fazer que grande parte destes rapazes e raparigas tenham uma autêntica falta de gosto e pareçam ter saído todos da mesma fábrica de roupa, faz com que sejam por vezes completamente estúpidos. E então o principal factor que faz com os namoros virtuais sejam o pão nosso de cada dia, é a autêntica proliferação da internet. Chegam ao ponto de 5 em 5 minutos estarem a alterar algo no seu hi5, ou a mandarem comentários repetidos á mesma pessoa. Depois para falarem entre si usam comentários, o que é completamente estúpido se aquela pessoa está online na nossa lista de contactos do chamado messenger ou mesmo se convivemos com ela todos os dias. Outra coisa ridicula é que quando tem o perfil com amigos a mais ou amigos indesejados, ao invés de os apagarem, não. Preferem criar outro e "mascarar" aquele com outro nome e foto. Mas pronto. Não é nada que se possa alterar. E agora de volta à novela :).